Aldeias Jaguapiru e Bororó comemoram Vila Olímpica

Aldeias Jaguapiru e Bororó comemoram Vila Olímpica

Primeira Vila Olímpica Indígena do Brasil foi inaugurada pelo governador André Puccinelli, deputado federal Geraldo Resende e prefeito Murilo Zauith

 
Índios mostram dança do Bate-Pau em apresentação cultural em cerimônia de inauguração da Vila Olímpica Indígena de Dourados. (Foto: Edmir Conceição) Índios mostram dança do Bate-Pau em apresentação cultural em cerimônia de inauguração da Vila Olímpica Indígena de Dourados. (Foto: Edmir Conceição)

O colorido da infraestrutura esportiva e o cheiro de tinta fresca sinalizavam que estava tudo pronto. A alegria e a expectativa dos índios Guarani, Kaiowá e Terena, que transitavam em carroças numa estrada de chão dentro da reserva indígena de Dourados (MS), confirmavam a importância do momento. A primeira Vila Olímpica Indígena do Brasil foi inaugurada nesta segunda-feira (09.05) pelo governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB/MS) e pelo prefeito Murilo Zauith (DEM). “Preparem os cocares porque nós vamos levá-los ao ministro do Esporte, Orlando Silva, e à presidenta Dilma Rousseff”, combinou Puccinelli com os indígenas, como forma de agradecimento.

Logo no inicio da cerimônia, as autoridades e a comunidade visitaram as instalações da Vila Olímpica e descerraram a placa inaugural. Em seguida, o coral do Peti Indígena (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), com cerca de 40 crianças, cantou sob o comando do professor Wilmar Pantaleão ao violão. O grupo Brô MC mostrou o rap indígena “A aldeia mostra a sua cara”. A dança das meninas Terena, grupo criado em 1960, e a dança do bate-pau, dos meninos Terena, completaram a recepção.

A ideia do traçado da vila olímpica sugere proteção para os povos por meio do esporte. O ginásio poliesportivo possui cobertura metálica em formato de uma oca gigante, com cerca de 15 metros de altura. Significa, portanto, a casa maior onde os povos serão abrigados durante treinos e competições. Há arquibancada e equipamentos esportivos para as modalidades de vôlei, basquete, handebol e futsal, além de tribuna de honra.

Futuro atleta

A vila olímpica conta ainda com campos de futebol (oficial e soçaite), pista de atletismo e quadra de vôlei de areia. Para o estudante Guarani Caio Isnarde, 10 anos, o complexo vai mudar sua vida. “Adoro jogar futebol, mas nunca pude experimentar o basquete, que sempre vejo na televisão. Pretendo ser médico para ajudar nossa aldeia, mas antes quero muito treinar basquete e, quem sabe, defender o Brasil em campeonatos nacionais e mundiais.”

Segundo o deputado Geraldo Resende, um dos idealizadores do complexo esportivo, a inauguração resgata uma dívida da sociedade brasileira com os índios. Integrante da Comissão Externa da Câmara que investigou, em 2005, as causas da desnutrição que vitimou mais de 100 crianças indígenas, ele destacou o comprometimento dos governos. “Somente quem tem coração indígena poderia fazer uma obra como esta.”

O projeto da primeira Vila Olímpica Indígena do País recebeu investimento de R$ 1,4 milhão do Ministério do Esporte. Outra importante contribuição foi protagonizada por duas lideranças indígenas. A área de 29 mil metros quadrados, na divisa entre as aldeias Jaguapiru e Bororo, foi doada pelos índios Raul Nunes e Estevo Martinsila.

População jovem

O coordenador do Núcleo de Assuntos Indígenas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Fernando Souza, lembrou a importância da Vila Olímpica para a população jovem das aldeias. “Os benefícios que o complexo traz são uma conquista ímpar. Há 12 mil pessoas morando na reserva, e 65% são crianças e adolescentes que só tinham um campo de terra batida para jogar futebol”.

É no centro da Vila Olímpica que o esporte demarcou o território. Três flechas gigantes de aproximadamente cinco metros de altura, nas cores vermelha, amarela e verde, demonstram com imponência a alegria dos futuros atletas indígenas. As flechas fincadas no chão do parque infantil – espaço circular com balanços, escorregadores e uma sala de aula mirim – priorizaram a preocupação com a segurança dos pequenos freqüentadores. Elas servem de base para a fixação de redes de proteção que foram instaladas para evitar o ataque de animais.

Carla Belizária/Ascom – Ministério do Esporte


 

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