16/06/2011, às 12:00h
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Deputado condena medida que legaliza carro roubado

Coordenador da Bancada Federal de MS, deputado Geraldo Resende classifica de ‘descalabro’ decisão do governo boliviano de legalizar veículos roubados no Brasil

 
Deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) quer manifestação do governo brasileiro sobre medida do presidente boliviano Evo Morales (Foto: Brizza Cavalcante/Agência Câmara)

O deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), coordenador da Bancada Federal de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, condenou nesta quinta-feira, 16, em pronunciamento na Câmara dos Deputados, a decisão do governo Evo Morales de ‘legalizar’ veículos roubados no Brasil e levados para a Bolívia.

O deputado classificou de “descalabro” a regularização de automóveis ilegais, autorizada pelo governo boliviano no último dia 8. Segundo ato do presidente Evo Morales, qualquer veículo que tenha sido roubado no Brasil e esteja circulando na Bolívia, pode se tornar legal mediante o pagamento de uma taxa, que varia entre US$ 2 mil e US$ 3 mil.

Para o coordenador da Bancada Federal de MS, o objetivo da Bolívia é de resolver problemas internos de caixa, mas o governo brasileiro não pode ficar calado. “Desta vez, esta Casa e o Poder Executivo têm de se manifestar de maneira diferente da nossa conhecida passividade diplomática”, cobrou Geraldo Resende.

“Quero deixar claro que o bravo povo boliviano, que tanto contribui com a cultura de meu Estado, Mato Grosso do Sul, está distante de minhas críticas. Quero crer que aquela população, como a de todos os países vizinhos entende esta ação como a legalização do que é evidentemente ilegal, imoral e antiético, o roubo”, ressalvou.

Geraldo Resende considera que a medida “cria um ambiente ainda mais inseguro nas fronteiras e constrói barreiras na tentativa de ações conjuntas de segurança”. De acordo com a Federação Nacional das Empresas de Segurança Privados (Fenaseg), dos 377.250 carros roubados na Brasil, 53% não foram recuperados. O principal destino dos automóveis furtados são os desmanches, ou países como o Paraguai e a Bolívia.

“Não só os motoristas de automóveis de passeio, mas caminhoneiros, que transportam as riquezas desse País, correm risco de perder o seu meio de trabalho e também perderem suas vidas, enquanto seus algozes serão premiados com esta absurda legalidade”.

Carro híbrido

Para o deputado Geraldo Resende, além do óbvio aumento da violência, a instabilidade jurídica vai ser amplificada pela criação deste novo “automóvel híbrido”, regular na Bolívia, mas completamente ilegal no Brasil, Chile, Paraguai e Peru.

“O roubo de carros está intimamente ligado á outros crimes como o trafico de armas e drogas, as conseqüências desta irresponsabilidade podem significar uma onda de violência sem precedentes. O roubo de automóveis é comandado de dentro das cadeias, esses veículos servem, ora como moeda de troca por cocaína, ora como transporte para outras drogas”, alertou o deputado, anunciando que irá apresentar ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, requerimento para “buscar informações e cobrar posicionamento firme, para salvaguardar o direito de propriedade e a segurança em nossas fronteiras”.


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